olhos

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Friday, May 23, 2008

Artes de adivinhação

Às vezes os pais têm de ser adivinhos nestas coisas dos miúdos...

O G, bebézinho ainda, não bebia no biberão. Não percebíamos porquê, o puto era comilão como tudo, mamava super-bem mas não queria o biberão. Até o pai perceber que ele o aceitava depois de passado algum tempo. Ou seja, leite frio!! Frio mesmo, até no inverno era só juntar água e agitar (embora fosse muito difícil dissolver o pó em água fria).

A última foi a D chorar baba e ranho durante o banho, que sempre adorou (como já disse noutro post). Coincidiu com a altura em que comecei a dar-lhes banho só com o chuveiro mas ela nunca teve problemas com o chuveiro. Ainda devemos ter passado umas 3 semaninhas com banhos sonoros e super-rápidos até eu descobrir que ela achava a água muito quente! Já o mano gosta de tomar banho com água tépida, mas ele nunca gostou do chuveiro de qualquer forma.

Agora é vê-la feliz da vida a molhar as mãozinhas debaixo do chuveiro e cheia de cócegas quando a molho (tenho de pôr a mão em frente do chuveiro para a água não lhe fazer cócegas!). E continua amicíssima do chuveiro: "Agora é a D." e depois põe a água na cara porque os bracinhos pequeninos não chegam para molhar a cabeça por cima...

Tuesday, May 20, 2008

O Sapo Cocas

O G começou a falar muito cedo e eu aproveitava para lhe ensinar tudo. Ele era assim tipo "pacagaio" (erro que manteve até há pouco tempo, já com 5 anos).

Temos em casa um pequeno peluche do Sapo Cocas e, um dia de manhã, antes de sair para o infantário, mostrei-lhe o sapo e ensinei-lhe o nome dele: "Sapo Cocas". Ele até já o via na televisão, na Rua Sésamo.

À tarde quando voltámos a casa, ainda antes de eu ter pensado em qualquer coisa, ele pergunta:

- O Sapo Quecas?

Thursday, May 8, 2008

Levada da breca!!!

Na segunda ao final da tarde, calminhos da vida, os 2 pirralhitos e eu, em casa...

Estava eu na cozinha a fazer o jantar quando o G vem ter comigo a dizer que a D lhe tinha batido.

Disse-lhe que se resolvesse com ela e não pensei mais nisso. A piolha, requintadamente malvada, topou a técnica "mariquinhas" do irmão (de ir dizer à mamã) e mal ele chegou novamente à sala, ouvi-o:

- Ai, não me batas!- daquela forma pausada e marcada que ele aperfeiçoou graças às investidas do pai em seu auxílio.

Arranjei uma desculpa para ir até lá e apanhei-a a bater-lhe e a fugir. Ele, mariquinhas, nada!

Sentei-me ao pé dele e chamei-a. Ela, com um brinquedo na mão, vem ter comigo e dá com o brinquedo na cara do irmão! Zanguei-me com ela, dei-lhe uma palmada bastante forte (com menos já chorou) mas ela aguentou-se... Dei-lhe o raspanete e exigi-lhe um pedido de desculpas ao mano. Ela pensou por um instante e respondeu-me:

- Eu não sabo!

Eu disse-lhe: "Sabes, sim, é só dizer 'desculpa, mano'!" Ela disse-me logo que não.

Fui pôr a mesa e adverti-a que não viria para a mesa sem ter pedido desculpa ao mano. Ela ignorou. Quando trouxe a comida ela viu que era ervilhas com ovos escalfados (que ela adora!!)

E dizia: - "Ovo?", ao que eu respondia: "Já pediste desculpa ao mano?". E ela afastava-se da mesa como quem não quer nada.

Passado um pouco vem ter comigo de novo:

- Salsicha?
- Sim, - digo eu - mas tens de pedir desculpa ao mano.
- Não. - diz ela de imediato.
- Achas bonito o que fizeste ao mano?
- Sim.
- Não pedes desculpa aos meninos no infantário?
- Eles não tão chuá. - a argumentação da formiguinha!!!!
- E gostas que te batam?
- Sim.
- Então se não pedes desculpa ao mano, vais lá e ele bate-te, pode ser?

Ela começa a andar em direccção ao irmão e, a meio do caminho, lança um "Cupa!" e volta para ao pé de mim muito depressa. Não sei como não me desmanchei a rir mas serviu-me de aviso...

Esta miúda vai ser o cabo dos trabalhos!!!! Não é o anjinho que é o irmão...

Friday, April 11, 2008

O maridão faz anos amanhã...

E hoje a história é sobre ele.

Ele conta que, quando era pequeno, morava num prédio enorme com um elevador.

Ele andava todos os dias de elevador e para ele era tudo muito simples:

As pessoas metem-se dentro do elevador, fecham a porta e... o prédio move-se para baixo até o piso que escolhemos ficar ao nível do elevador (que ficou parado). E quando queremos sair do prédio, este move-se para cima de novo.

Tudo funcionava bem nesta pequena cabecinha até um dia... em que foi morar para um prédio com DOIS elevadores!!!!

Se ele conhecesse o Fernando Pessa diria: E esta, hein?

Thursday, April 10, 2008

Ao jantar, um destes dias...

A D está a aprender vários conceitos, entre eles "grande" e "pequeno". Agora não perde uma oportunidade de dizer que qualquer coisa é "lande". E eu perguntava-lhe:

- É grande? O que é grande?

- A mamã, o papá, o mano...

- O mano é só um bocadinho... - digo eu. E o G acrescenta:

- Eu não sou tão grande como parece!

Friday, April 4, 2008

Ofereceram uns AllStar à D...

Uns AllStar cor-de-rosa, número 21, mesmo piriris!!

O G ficou roídinho de inveja. Nem sabia que ele gostava de AllStar mas ele disse que eram iguais aos do tio Mik! E que queria uns azuis.

Entretanto foi desfazendo (literalmente) todos os pares de ténis que tinha. Não propositadamente, claro! Mas às vezes parece que sim.

Há uns tempos, depois do avô ver os ténis da D, tão giros (!), o G já tinha conseguido a promessa de que o avô lhe ofereceria uns.

Ontem entrámos numa SportZone para lhe comprar uns ténis. Estávamos a namorar uns giros, pretos, tipo AllStar mas metade do preço e o G dizia:

- Mas eu queria aqueles... (a apontava os AllStar)

E eu e o papá a explicarmos:

- Sabes, G, o dinheiro daqueles dá para levar 2 pares destes. E são iguais, não são?

Resposta:

- Mas eu queria aqueles...

A avó ligou. Já tinham chegado para irmos jantar.

Fomos ter com eles e cravámos ao avô a promessa que tinha feito. Lá ìa o G, feliz, abraçado ao saco com os AllStar azuis!!!

Hoje calçou-os. A D calçou uns sapatinhos lindos, fáceis de descalçar (para quem anda em treino de bacio). À porta de casa viu o mano e disse:

- O mano botas giras. D não veste...

E calcei-lhe também os dela... Mandam muito...

Tuesday, March 11, 2008

Enrugadinhos do banho...

O G nunca foi um amante de banho. Tinha fases em que gostava mais, outras em que gostava menos, nunca fez muita confusão.

A D sempre AMOU o banho!!! Nós nem podemos falar nele se ainda não fôr hora porque ela começava logo a correr para a casa-de-banho e a puxar a roupa!

G quando descobriu que os dedos ficavam enrugadinhos quando ele saía do banho, disse-me calmamente mostrando-os:

- "Olha, mamã, dedos de salsicha!" - lembravam-lhe as salsichas quando enrugam depois de as fritarmos.

D quando descobriu o mesmo ficou muito preocupada, chorosa. Olhava para os dedos e dizia:

- "Mamã, dedos!"

Nem ficou mais animada por lhe dizer que eram "dedos de salsicha" e, ainda ontem fez aquela cara de preocupação e tristeza enquanto os seus dedinhos não voltam ao normal...

Friday, February 1, 2008

E a propósito de Carnaval...

Ontem à noite deu um documentário sobre aranhas e tarântulas logo depois de termos estado a discutir, ao jantar, as máscaras de Carnaval.

O G, este ano, veste-se de Zorro enquanto a maioria dos seus colegas se veste de Spiderman (fato que ele vestiu o ano passado).

Confessei que não gostava muito daquelas aranhas peludas e ele disse que não tinha medo nenhum. Depois explicou:

- E se tiver medo vou vestir o meu fato de homem-aranha. Assim elas já não me picam!

Wednesday, January 23, 2008

Estados de consciência

O puto, já com 5 anos, começa a aperceber-se que não consegue controlar (nem tão-pouco identificar) as mudanças no seu estado de consciência.

É comum ele adormecer no carro (de boca aberta e a ressonar) e, depois de acordar, jurar-nos a PÉS JUNTOS e muito ofendido por contradizermos, que NUNCA chegou a adormecer!!

No outro dia dizia-me:

- Mamã, ontem à noite dormi tão bem que nem tive de fingir que estava a dormir!

E hoje, que acordou mais cedo que a mana, disse-me:

- Sabes porque é que eu hoje acordei antes da mana? Porque não dormi!!!

Wednesday, May 30, 2007

"Ainda não comeste nada!"

Sempre fui pastelona.

Daquelas pastelonas mesmo pastelonas... Que demoram tempos infinitos para comer um pedacinho e que levam qualquer professora à loucura de tanto tempo que conseguem demorar.

Felizmente n'«A minha Escola» nem a minha professora Tina nem mais ninguém se deixava afectar muito com isso e deixavam-me (a mim e a outra colega com os mesmos hábitos pastelosos) no refeitório o tempo que fosse preciso até que tudo fosse comido. E nós lá ficávamos, na conversa, talheres pousados, pernas esticadas ao longo dos bancos compridos, cada uma de um lado de uma grande mesa, distraídas e nada preocupadas com comer.

O que me irritava nesta história acontecia mais em casa (na minha ou na de familiares). Era quando me diziam:

- "Ainda não comeste nada!"

Essa é que me afectava! NADA? Nada não! Mas então não me tinham visto já levar garfadas à boca? Viram. Claro que viram! Então que pergunta é essa? Já comi alguma coisa. CLARO que já comi alguma coisa!! Não comi tudo. Não comi muito. Mas comi alguma coisa. Já comi, já!

Ficava mesmo muito ofendida com essa do "Ainda não comeste nada!"... Ficava, ficava...

Nunca o disse a nenhum miúdo com que tenha trabalhado...